quarta-feira, 31 de agosto de 2011

marée basse



(à mulher quase imaginária)


Pulo agora da torre Eiffel;
Paris não estará lá amanhã.
Aterrisso em lugar nenhum:
O chão da cidade se mescla
Na visão de névoa, pétalas e lençóis revoltos.
O mergulho se prolonga
Em voltas, voltas e mais voltas
Até ficarmos menos tontos do que antes
Até pular de novo no meio do primeiro salto
Fazendo chão nas nuvens.
Estamos tontos.
Somos tontos.
Tontificamos tudo.
Um mundo de ressaca
De tanto beber a si próprio.
E vomito até virar do avesso,
Só de imaginar o cheiro do vinho francês nas taças européias.

Olhos cravados na praia
Procurando
Da areia ao horizonte
Uma garrafa boiando em lágrimas
Atlânticas
Que inundaram cidades perdidas.
Uma só garrafa que não venha a navio.
Com seu vinho francês pagador de impostos e gerador de empregos
Diplomata do velho mundo.
Uma só garrafa que mate a sede do náufrago
Ou ao menos lhe sirva pra se embriagar
E cortar os pulsos
Rindo-se muito do vinho tinto das veias.
Negrume
Que iluminismo nenhum há de amarrar sentido.

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Anônimo disse...

seus poemas podem ser subdividos em outros, pois os versos sozinhos falam tanto quanto estão juntos. É provável que nós seres humanos também sejamos assim: versos que por si só já falam muito e quando unidos ganham um outro sentido. Ray