
Falta a fala molhada. Falta o verbo carnudo que preenche o espaço com formas vivas. Falta o discurso que pese, a palavra palpável. Não se ouve o som duro, encorpado, mas o ar é cheio de vozes.
Sempre a mesma ladainha surrada, sussurrada ao pé do ouvido; a aula transparente, a sabedoria de brisa que nos sopram nos tímpanos inflando a mente numa enorme cabeça de balão.
É a palavra assoviada ao coração; que quer ser paixão, sopro de vida, mas que só estufa o oco do peito.
Insuflado de idéias e amores de vento, levito . Cada vez mais alto. Até não caber mais em casa. Até estourar nas nuvens.


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