sábado, 24 de setembro de 2011

Encarnado

Procuro entre as costelas
A doçura do coração em forma de balão,
Desses que se entalham em árvores
Eternizando amores pueris.
Mas só há músculo,
Só há fibra se contorcendo,
Jorrando sangue.
Nunca fui tão vivo
Nunca fui tão cru.
Teu abrigo de pelúcia no fundo do meu peito
Hoje é só entranhas
E te repele.
Casa vazia, cidade arrasada;
Sou matadouro e campo de batalha.

Meto os dentes no miocárdio
E arremesso granadas taquicardíacas.
Explosões palpitantes
Desmanchando tudo.
Entre mandíbulas a carne inda pulsa.
Abraços prendem e deixam partir
Em sístoles e diástoles.
Teu peito retumba, retumba e se afasta;
Me toma, me tomba e me foge,
Pois deste coração já nao és mais batida
Mas só sopro.
És insuficiência
És falência.
Intransplantável.

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Edi Reis disse...

Gostei desse mais do que todos os outros. Não sei porquê, mas me deixou bastante sensibilizada.
Parabéns!

Denise disse...

Vi a Edi lendo os seus textos e fiquei curiosa. Achei muito interessante, gostei do modo como vc escreve ... vou passar por aqui outras vezes!

raydália disse...

adorei este e já está na minha lista dos a serem lidos no sarau de outubro, com sua licença...poética. Raydália