sábado, 24 de setembro de 2011

A um quase Dante

Sem pálpebras,
Arranco os olhos pra te ver, velho amigo:
Rodando pra sempre no ônibus do Inferno,
Entediado com a paisagem do universo
Nas janelas de espelho,
Tens todo o tempo do mundo pra refletir
O sentido da [minha] vida.
A borracha do pneu queima,
Os dinossauros no motor queimam,
O sol na cabeça queima,
Os papéis nos bolsos queimam...
Tudo chama
Mas teu rosto gela
Cortando o vento nesse ônibus louco
Que segue à toda para algum lugar algum.

E eu mastigo carvão e te aceno e apito;
Homem Máquina.
Pois tudo o que é vivo é morto
E assombra a estrada
Enchendo o ar de enxofre,
Lavando a alma com chuva ácida.

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Sheep disse...

Eu te imaginei um poema - que quis te dizer. O que era pra ser falado depois de acordar (de ressaca). Daí tive que sair correndo, correr atrás de um metrô, de um passe, de um dinheiro que eu não tinha, de um trem, de um ônibus, de uma gentileza, fui atrás daquele outro amigo em comum, de uma cidade incomum, e tá sempre escuro por demais na poltrona, é uma merda escrever correndo, escrever esperando. É uma merda ter que escrever porque faltou tempo pra mais uma cerveja. É uma merda que perdi as palavras e agora não tenho certeza de achá-las. Falta a imagem, e os Correios ainda tão em greve. Mas é assim mesmo.